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DIARIO DE CRISE

DIARIO DE CRISE é um dispositivo performático que atua sobre as percepções sensoriais do público. Durante o confinamento social, Camille e Stefanie se deparam com alguns sentimentos novos, medos, relações com o que elas tinham em sua volta, uma casa, uma cidade pulsando a noite na frente delas, quatro paredes... Se confrontando com isso, elas forem experimentar fisicamente que o essas novas percepções criariam. Assim se construiu esse monólogo performático, Diário de crise.

De uma duração de 30min, o monólogo apresenta um corpo feminino se deslocando em um cenário de tubulares de led dimerizado, pulsando como um lento metrônomo. No fundo de palco uma chapa de acrílico pendurada opera como uma tela, recriando pela luz rebatida o reflexo das cenas acontecendo na sua frente. O público é orientado a olhar essa tela enquanto a cena se desenvolve no palco de costas. Não conseguimos mais perceber o que há dentro ou fora, o que é realidade ou projeção da ação. O corpo se movimenta nesse universo, realizando ações repetitivas e ritmadas por uma trilha sonora feita de gravações de voz, contando o cotidiano de um confinamento, e de sons que vêm se misturando na fala, passam por cima, dão corpo ao espaço cênico. As ondas de baixas frequências sonoras, da trilha, rebatem nos corpos espetadores como se elas fossem invadir fisicamente a pele do publico. Essa trilha projeta o público em um mundo interno de batidas, pulsos, impulsões. Um mundo até então pouco conhecido, porém descoberto por todos durante o período de confinamento, um mundo interno solitário, uma avalancha de emoções contraditórias. Ao longo do monologo vai se instalar um clima sensorial aberto a interpretação de cada um, porém orientado pela voz que conta suas aceitações em frente a essa situação absurda de confinamento social.

Existe um certo prazer nessa voz, um prazer de ver esse mundo pausado...